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4 lições que aprendemos conversando com Paulo Silva, gerente de LegalOps do Mercado Livre Brasil

Em linha com o que estamos divulgando nos últimos tempos, o RNSJ está de fato passando por um processo muito interessante (e desafiador) de reflexão sobre o papel da inovação na advocacia. A luta é árdua pois, como se sabe, inovar demanda mudança cultural do time e de mindset de seus integrantes — o que é bem complexo e impossível de se fazer no curto prazo.

O caminho inicial que estamos buscando trilhar é o do debate, trazendo à mesa as melhores práticas de gestão que hoje são adotadas nos mais variados mercados. Graças à internet e ao ambiente de open innovation, hoje todos podemos descobrir, sem grandes dificuldades, como trabalha um advogado do departamento mais produtivo do Itaú, como se organizam os times na Apple e como se dá a busca por inovação num dos maiores escritórios full service do país.

 

No final de uma sexta-feira gelada do começo do mês conseguimos aprender mais uma porção de conhecimentos novos num papo com Paulo Silva, o gerente de Legal Operations — não sabe o que é isso? Calma que eu já te explico — do queridíssimo Mercado Livre Brasil.

 

Pois bem, eu queria te contar, agora, 4 lições que aprendemos nesse encontro com o Paulo. Segue o fio!

 


 

1. O objetivo de uma área de Legal Operations

 

Para entender o que faz uma área de Legal Operations, recorramos ao seu objetivo: garantir a eficiência, a escalabilidade e a manutenção do negócio de serviço jurídico (escritório ou departamento).

 

De um modo didático, as missões e tarefas da área de LegalOps podem ser encontradas por exclusão:

 

1. Toda tarefa que seja volumosa e repetitiva deve ser automatizada;

 

2. Toda tarefa de baixo valor que seja volumosa e repetitiva, mas não automatizável, deve ser terceirizada;

 

3. Toda tarefa volumosa, repetitiva, não automatizável, mas de alto valor, deve ser tratada e pensada pela área de LegalOps.

 

Ou seja, Legal Operations é bem mais que a já conhecida “controladoria jurídica”, já que alberga, também, uma série de atividades volumosas e altamente importantes, como pagamentos a fornecedores, orçamento, otimização de processos e gestão eficiente de pessoas e recursos.

 

Vale dizer que o setor de Legal Operations já está bem consolidado no exterior, com uma associação internacional, o Corporate Legal Operations Consortium (CLOC) bem atuante e focada em construir e promover o ecossistema de LegalOps pelo mundo.

 


 

2. O que é o tripé PPT

 

Pois bem, e qual deve ser o raciocínio utilizado por alguém que quer pensar em LegalOps (e gestão jurídica moderna de um modo geral)? O PPT!

 

Pessoas: uma empresa não é feita de tijolos, tampouco dinheiro, mas, sim, de pessoas! Focar e investir (ativamente) em gestão de pessoas, cultura, propósito e experiência do colaborador é a primeira ferramenta na hora de pensar sobre como garantir a eficiência, a escalabilidade e a manutenção do escritório ou departamento jurídico;

 

Processos: a segunda ferramenta é a gestão de projetos. Comece fazendo um “mapeamento desafiador” (como Paulo chama) de todos os processos de sua ambiente de trabalho de modo absolutamente crítico e desapegado de caprichos pessoais ou costumes antigos. Você deve observar todo o fluxo de trabalho, de todas as diferentes áreas, de modo a excluir todo e qualquer passo desnecessário e que cause fricção (para que 3 aprovações num mesmo pedido de pagamento? Confie mais no seu time e ganhe eficiência! Let go!);

 

Tecnologia: a terceira e menos importante das ferramentas. É evidente que ferramentas tecnológicas são indispensáveis para o ganho de escala, eficiência e a manutenção de qualquer empresa no mercado atual. Entretanto, de nada adianta sair comprando softwares caros se nem antes você sabe quais são os problemas que precisam ser resolvidos e, mais, como está, de fato, o seu time. Geralmente a solução é mais simples e mais barata do que parece.

 


 

3. Como implementar uma área de LegalOps

 

Com gestão de projetos! Comece pequeno, buscando atingir objetivos menores e mais realizáveis no curtos prazo. Como disse Paulo, “teu objetivo será o estabelecimento da área de LegalOps, mas inicie com algo menor”.

 

Um exemplo disso pode ser a construção de um book de indicadores (KPIs) mínimos para o escritório/departamento jurídico. Outro pode ser um tratamento na base de clientes, limpando tudo aquilo que estiver incorreto e desatualizado e inserindo tudo aquilo que faltar. Junte um grupo de pessoas e comece a trabalhar executando no micro, mas pensando no longo prazo.

 


 

4. Gestão e advocacia podem (e devem) coexistir na mente do advogado

 

Muita gente sai da faculdade de Direito querendo empreender, ser dono do próprio escritório ou mesmo liderar um departamento jurídico de uma companhia. Entretanto, sabemos bem que a graduação não nos prepara para isso — nem mesmo uma aulinha básica sobre excel ou gestão de tarefas nós temos.

 

Infelizmente, o que quase sempre acontece é que os advogados, diante disso, pouco fazem. Buscam empreender, ou intra-empreender, sem, contudo, base sobre gestão, inovação e produto, tornando o caminho muito mais doloroso.

 

A consequência prática é que os advogados brasileiros sentem muita dificuldade em traduzir suas rotinas em processos e resultados.

 

Assim sendo, estudar sobre LegalOps pode ser um caminho para que você aprenda mais sobre as melhores práticas difundidas em quase todos os outros mercados, mas ainda muito novas para o sempre atrasado mercado jurídico.

 

Era isso o que tínhamos para compartilhar por hoje! Quer saber mais? Em breve nós publicaremos o vídeo do papo com Paulo Silva em nossas redes! Nos siga no LinkedIn, no Facebook e no Youtube!

 

Aproveito, mais uma vez, para agradecer ao Paulo pela gentileza em dedicar um tempo da sua rotina corrida para nos passar esses valorosos conhecimentos! Tudo fez muito sentido! Valeu, Paulo!

 

*Leonardo Carvalho é estagiário do Contencioso Público do RNSJ e um dos engajadores do nosso time nos assuntos de gestão e inovação.